FGC: o que é e por que ele está no centro das liquidações do Banco Master e Will Bank
- 21 de jan.
- 3 min de leitura

Se você ficou acompanhando
as notícias financeiras nos últimos dias, deve ter visto dois nomes muito comentados: Banco Master e Will Bank. E junto com eles, voltou à tona outro nome importante: o FGC — o Fundo Garantidor de Créditos.
Mas afinal, o que é esse tal de FGC e por que ele está sendo tão falado agora? Vamos entender juntos.
O que é o FGC de verdade?
O FGC – Fundo Garantidor de Créditos é uma espécie de “seguro” para quem investe ou deixa dinheiro em bancos e instituições financeiras no Brasil. Ele foi criado justamente para proteger investidores e correntistas caso a instituição quebre ou seja liquidada.
Em outras palavras: Se o banco onde você tem CDB, poupança, LCI/LCA ou conta corrente fechar, o FGC garante que você receba o seu dinheiro de volta até certo limite.
Como funciona a cobertura do FGC
A regra básica que o FGC segue é a seguinte:
O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, incluindo:
valor aplicado + juros já acumulados até a data da liquidação.
Se o mesmo investidor tiver aplicações em mais de um banco, cada banco conta separadamente para a cobertura de R$ 250 mil — ou seja, dá pra ter mais de R$ 250 mil garantidos se for em instituições diferentes.
Existe ainda uma regra que permite até R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ em todas as instituições num período de 4 anos — mas isso tem regras específicas quando são liquidações relacionadas ao mesmo conglomerado.
O que aconteceu com o Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após enfrentar sérias dificuldades financeiras e investigações envolvendo práticas irregulares.
Quando isso aconteceu:
O BC nomeou um liquidante para administrar o processo.
O FGC entrou em ação para garantir os pagamentos aos credores.
O volume de recursos que o FGC precisou provisionar para pagar os credores do Banco Master foi enorme: cerca de R$ 40,6 bilhões, o maior resgate da história do fundo até agora.
E o caso do Will Bank?
Pouco tempo depois da liquidação do Banco Master, o Will Bank — que fazia parte do mesmo grupo — também teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em 21 de janeiro de 2026.
O Will Bank era um banco digital com milhões de clientes, e sua situação acabou se deteriorando após a crise do Master, levando à decisão de liquidação.
Esse segundo caso também ativa o FGC para cobrir os depósitos e aplicações de clientes até os limites de garantia.
De acordo com estimativas, o impacto combinado das liquidações do Master e do Will Bank pode levar o FGC a desembolsar até cerca de R$ 48–49 bilhões, ou cerca de 39% de suas reservas.
Como os investidores recebem o dinheiro
Depois de uma instituição ser liquidada, o processo mais comum é:
O liquidante, nomeado pelo Banco Central, organiza a lista de credores (quem tem direito ao ressarcimento).
O FGC libera essa lista no seu sistema e você precisa:
baixar o app do FGC
fazer o cadastro
indicar a conta onde quer receber.
Após isso, o FGC processa o pagamento — normalmente em até 48 horas após o cadastro ser aprovado.
E quem tem mais de R$ 250 mil?
Essa é uma parte importante que muitos perguntam:
Se você tinha mais de R$ 250 mil aplicado em uma mesma instituição, o FGC cobre apenas até esse limite por CPF/CNPJ por banco.
Exemplo:
Se você tinha R$ 300 mil em CDBs do Will Bank
O FGC paga R$ 250 mil
Os R$ 50 mil restantes podem só ser ressarcidos mais tarde, após o processo de liquidação e acordo com credores — ou podem ser perdidos por completo.
Por que isso é importante para quem investe
Eu sempre digo que investir é também entender o risco — e risco não é sinônimo de medo, é sinônimo de conhecimento.
O FGC é tranquilizador porque garante um piso de proteção em situações extremas.
Mas ele não garante tudo — e principalmente não garante valores acima de R$ 250 mil por banco.
Isso significa que:
Diversificar entre instituições pode reduzir o risco de perder dinheiro.
Investimentos com valores muito altos em um mesmo emissor devem ser avaliados com cuidado.
Conclusão
O Fundo Garantidor de Créditos foi criado exatamente para ser uma rede de proteção para investidores e clientes bancários. Ele está sendo acionado agora em dois casos de grande impacto — Banco Master e Will Bank — porque essas instituições não conseguiram honrar suas dívidas.
E isso nos lembra de um princípio básico que compartilho sempre com quem está começando:
Conhecimento é o que reduz o risco do investimento.
O FGC ajuda a proteger seu dinheiro em situações extremas, mas não substitui a necessidade de diversificar e conhecer os riscos de cada banco e aplicação.








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